Close de olho humano com lágrima no canto interno, ilustrando lacrimejamento ocular

Olhos lacrimejando: alergia ou obstrução?

Olho que lacrimeja durante a tarde toda em dia de poeira é uma situação. Lacrimejamento sempre no mesmo lado, todos os dias, mesmo dentro de casa, é outra. São dois cenários diferentes, com causas diferentes.

Lágrima em excesso não é sinônimo de olho bem hidratado. Muitas vezes é o oposto: um sinal de que algo está irritando a superfície ocular ou impedindo a drenagem normal da lágrima.

Dois mecanismos, duas histórias diferentes

Existem basicamente dois caminhos que levam ao lacrimejamento frequente. Um deles é a dificuldade de drenagem, como acontece na obstrução do canal lacrimal, comum em idosos, em casos de infecção como a dacriocistite ou em alterações das pálpebras. O outro é o estímulo excessivo à produção de lágrimas, geralmente como resposta a irritações — como conjuntivite, rinite alérgica, uso inadequado de lentes de contato ou olho seco.

Na prática, isso significa que o mesmo sintoma pode estar contando duas histórias clínicas bem distintas. Só a avaliação presencial diferencia uma da outra com segurança.

Quando a causa é alergia

A alergia ocular tem um padrão mais previsível: costuma vir acompanhada de coceira e em geral atinge os dois olhos ao mesmo tempo. Os principais sinais são prurido ocular, hiperemia conjuntival, lacrimejamento e edema conjuntival, podendo raramente evoluir para ulcerações da córnea causadas pelo prurido contínuo.

Existem formas diferentes de conjuntivite alérgica:

  • Perene: associada a alérgenos ambientais como ácaros, barata, epitélios de animais e fungos, presente o ano todo.
  • Sazonal: relacionada à exposição a pólens, mais frequente em determinadas épocas do ano.
  • Formas leves: respondem pela maior parte dos casos, frequentemente associadas a outras condições alérgicas, como rinite, asma e dermatite atópica.

Um detalhe útil para diferenciar de infecção: a conjuntivite viral ou bacteriana costuma vir com secreção purulenta e crostas nas pálpebras, enquanto a alergia ocular produz secreção clara e aquosa. A conjuntivite alérgica também não é contagiosa, ao contrário da forma infecciosa.

Quando a causa é obstrução do canal lacrimal

Aqui o padrão muda. Em vez de coceira e vermelhidão nos dois olhos, é mais comum um lacrimejamento persistente, muitas vezes em um olho só, sem alívio com o afastamento de poeira ou ambientes fechados.

A obstrução lacrimal tende a se manifestar de forma diferente conforme a faixa etária e o sexo. É mais frequente com o avanço da idade, e estudos indicam maior prevalência entre mulheres — entre 62% e 85% dos casos, segundo levantamentos citados na literatura médica. Uma explicação anatômica frequentemente associada a isso é que o canal ósseo do ducto lácrimo-nasal tende a ser mais estreito e angulado no sexo feminino, além de alterações hormonais na menopausa que podem favorecer o estreitamento do canal.

Quando a obstrução se instala, os sinais costumam ir além da lágrima em excesso: dor, inchaço e tumefação na região do saco lacrimal, próximo ao nariz, podem indicar um quadro que exige investigação mais detalhada.

Sinais que pedem avaliação, não espera

Alguns sintomas associados ao lacrimejamento merecem ser levados a um oftalmologista, e não apenas observados por conta própria:

  • Lacrimejamento que persiste por semanas, mesmo evitando poeira e ambientes secos
  • Inchaço ou dor perto do canto interno do olho, próximo ao nariz
  • Secreção que muda de aspecto — de aquosa para espessa ou amarelada
  • Sintoma concentrado em um olho só, sem melhora
  • Vermelhidão que não cede junto com o lacrimejamento

Nenhum desses sinais, isolado ou combinado, permite conclusão sem exame — mas juntos formam o roteiro que o profissional usa para investigar a causa.

Como o oftalmologista investiga a causa

A avaliação começa pela história clínica: quando o lacrimejamento apareceu, se afeta um ou os dois olhos, se piora em determinados ambientes ou horários. A partir daí, o oftalmologista realiza um exame ocular completo.

Dependendo do que for observado, pode ser necessário investigar a permeabilidade das vias lacrimais ou avaliar a superfície ocular com mais detalhe — sempre a partir do que for identificado na consulta, não de uma suposição prévia. É o exame presencial, e não o sintoma isolado, que orienta os próximos passos.

Um sintoma comum, causas que pedem olhares diferentes

Alergia sazonal, irritação passageira e obstrução do canal lacrimal pedem investigações e condutas diferentes, definidas caso a caso por um profissional. Identificar o padrão de cada quadro é o que permite direcionar a investigação com mais precisão — e é justamente isso que uma consulta oftalmológica se propõe a fazer.

O Centro Clínico Imagem, em Sobradinho, oferece consulta oftalmológica, exame de vista e exames oftalmológicos completos em atendimento particular a preço acessível. Para tirar dúvidas sobre valores e horários, é possível falar com a recepção.

Leave A Reply

a