Ultrassom ocular: quando ele entra no exame de vista
Catarata avançada, hemorragia dentro do olho, córnea embaçada por uma lesão antiga — em qualquer uma dessas situações, o oftalmologista olha pelo instrumento e não enxerga o fundo do olho. É como tentar ver através de um vidro embaçado. Nesses casos, a avaliação clínica sozinha não é suficiente, e entra em cena um exame que poucas pessoas conhecem antes de precisar dele: o ultrassom ocular.
Ele não dispensa a consulta nem entrega um veredito fechado. Funciona como uma ferramenta a mais, que ajuda o médico a enxergar estruturas que o exame direto não alcança.
O que é o ultrassom ocular
A ultrassonografia ocular usa ondas sonoras de alta frequência para formar uma imagem das estruturas internas do olho — algo semelhante ao ultrassom usado em outras áreas da medicina, mas adaptado a um órgão pequeno e cheio de superfícies que refletem o som de formas diferentes. O olho é considerado um órgão ideal para esse tipo de exame, justamente por ser de fácil acesso e conter várias interfaces que refletem bem o som.
A técnica não é recente: a ultrassonografia diagnóstica em oftalmologia foi desenvolvida no final dos anos 1950 e início da década de 1960, e permanece um método essencial de exploração de patologias do globo ocular e da órbita. Décadas de uso, porém, não significam que ela seja indicada para toda pessoa — o oftalmologista é quem avalia se o caso pede esse tipo de imagem.
Quando o exame clínico não é suficiente
O motivo mais comum para solicitar um ultrassom ocular é a chamada opacidade de meios: qualquer condição que impeça a luz de atravessar o olho e permita ao médico ver a retina com clareza. Nesses casos, a ecografia costuma ser o exame de eleição para analisar o segmento anterior ou posterior do globo ocular, com resolução maior para essa finalidade do que a ressonância magnética ou a tomografia computadorizada.
Entre as situações em que essa opacidade aparece, a literatura médica cita:
- Catarata em estágio avançado, que impede a visualização da retina
- Hemorragia vítrea, sangue dentro do olho após trauma ou doença vascular
- Leucoma de córnea, cicatriz que deixa a córnea opaca
- Suspeita de endoftalmite, infecção grave dentro do olho
- Traumas oculares com edema de córnea ou sangramento em câmara anterior
As indicações relatadas na literatura vão desde opacidades causadas por leucoma de córnea, catarata e membrana ciclítica até hemorragia vítrea, endoftalmite, trauma e tumor ocular. Em casos de suspeita de infecção intraocular, por exemplo, a ultrassonografia auxilia na avaliação da endoftalmite, principalmente quando não é possível examinar o segmento posterior devido à opacidade de meios.
Quando a retina não pode ser vista diretamente
Depois de cirurgias vítreo-retinianas, o acompanhamento também costuma recorrer ao ultrassom quando a fundoscopia — o exame direto do fundo do olho — não é possível. Um levantamento com 50 olhos avaliados nesse contexto mostrou que as principais indicações foram fundoscopia inadequada em 16 casos (32%), hemorragia vítrea em 17 (34%) e catarata em 9 (18%). Do total, 25 olhos apresentavam a retina aplicada (50%) e 24 apresentavam a retina descolada (48%) — informação que só o exame de imagem conseguiu trazer, já que o olho estava opaco ao exame direto.
Medição do comprimento do olho: a biometria ocular
Existe uma segunda aplicação do ultrassom em oftalmologia, bem diferente da primeira: a biometria. Aqui o objetivo não é identificar uma lesão, mas medir com precisão o tamanho interno do olho.
A biometria ocular mede o comprimento axial do globo ocular e de suas estruturas, dado essencial para entender a origem de erros refrativos e para calcular lentes intraoculares. Na prática, esse cálculo é decisivo quando o oftalmologista planeja a cirurgia de catarata: a lente que substitui o cristalino precisa ter o grau certo, e esse grau depende diretamente da medida do olho.
Existem duas formas de fazer essa medição: por ultrassom, técnica mais antiga, ou por interferometria óptica, tecnologia mais recente. Estudos que compararam os dois métodos encontraram resultados próximos. Em uma pesquisa com biômetros ultrassônicos e ópticos, a menor média do comprimento axial (23,12 mm) foi obtida em um aparelho por contato, e a maior (23,21 mm) em outro equipamento, também por contato — diferenças pequenas, mas que mostram por que a padronização da técnica importa no planejamento cirúrgico.
Dentro do próprio ultrassom, a forma de encostar a sonda no olho também influencia o resultado. Uma comparação entre a técnica por contato direto e a técnica por imersão, com um líquido entre a sonda e o olho, mostrou que a menor média do comprimento axial (23,16 mm) foi obtida pelo método de contato, e a maior (23,29 mm) pela imersão, usando a mesma sonda. A variação entre repetições da mesma medida também foi menor com imersão: o desvio padrão médio entre medidas repetidas no mesmo olho foi de 0,02 com a técnica de imersão e de 0,07 com o método de contato, diferença considerada estatisticamente significante.
Uma aplicação pouco conhecida: a órbita
Além do globo ocular, o mesmo aparelho de ultrassom pode avaliar a órbita e os anexos — os tecidos ao redor do olho. É uma aplicação menos difundida: a ultrassonografia da órbita é pouco realizada pelos oftalmologistas, embora o mesmo equipamento que avalia o segmento posterior dos olhos possa ser usado para observar essa região. Ainda assim, ela integra o conjunto de recursos disponíveis quando o médico suspeita de alterações fora do globo ocular propriamente dito.
O que o exame não substitui
Cada exame de imagem produz resultados por meios diferentes e tem indicações e contraindicações próprias. O ultrassom ocular não elimina a necessidade da avaliação oftalmológica — ele existe para complementar o que o exame direto não consegue alcançar. A decisão de solicitar o exame, interpretar o resultado e definir a conduta cabe sempre ao oftalmologista, a partir do histórico e dos sinais apresentados por cada paciente.
O Centro Clínico Imagem, em Sobradinho, oferece consulta oftalmológica, exame de vista, exames oftalmológicos completos e ultrassonografia, além de exames laboratoriais e de imagem em geral, com atendimento particular a preço acessível.
Para saber se o seu caso pede esse tipo de exame, fale com a recepção.

